Conversa com Gilson Brito, presidente da AV Norte

14/09/2016

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Associação dos Desenvolvedores do Vetor Norte – AV Norte é uma entidade privada sem fins lucrativos, que une interessados, das mais variadas áreas de atuação econômica e da sociedade civil, em promover o desenvolvimento harmonioso do Vetor Norte da região metropolitana de Belo Horizonte. A associação apoia o projeto da Conviver no projeto “Comunidade em Desenvolvimento: o Vetor Norte em Transformação” e, recentemente, a Conviver se filiou à AV Norte como associado benemérito.

Conversamos com Gilson Brito Júnior, presidente da AV Norte sobre como está o desenvolvimento do Vetor Norte, sobre o projeto “Comunidade em Desenvolvimento” e sobre o relacionamento entre a Conviver e a AV Norte. Confira!

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Conviver News: Como está a situação/cenário do desenvolvimento no Vetor Norte atualmente? A região ainda está crescendo?

Gilson Brito: Na realidade, não. Nós temos um projeto iniciado há mais de uma década, que tinha alguns vetores de desenvolvimento que foram usados como tensores. O primeiro foi a mudança dos voos do aeroporto da Pampulha para Confins. O segundo, a Linha Verde e o terceiro foi a construção da Cidade Administrativa. Isso iniciou o processo, mas por si só não era suficiente para garantir o desenvolvimento sustentável. Foi feito todo um volume de estudos para garantir o desenvolvimento da região, buscar novos vetores de desenvolvimento voltados para educação, para uma nova economia, com oferta de emprego justo e melhor remuneração. Mas não se integrou isso com o restante do desenvolvimento. Não foi feito nada no que se refere à educação de base e todo projeto de mobilidade foi interrompido no meio. A duplicação da Linha Verde e a reformulação da rodovia 424 sem a duplicação até a BR040 não são suficientes. Precisamos da construção do Rodoanel, que é uma promessa antiga, não só para o Vetor Norte, mas para a Região Metropolitana de Belo Horizonte. Sem isso, toda integração que foi prometida, fica comprometida. Nós temos agora o projeto do aeroporto em andamento, que é o único que está em andamento e, talvez, por ter sido privatizado na hora certa. Projetos estruturais importantes, como a finalização da estrutura viária que faz a ligação da LMG800 com a ponte do rio das Velhas, que vai oxigenar o turismo para a Serra do Cipó, estão parados. Outros exemplos são a Alça Leste Lagoa Santa, que cria todo uma oxigenação com o município de Jaboticatubas, liberando novas áreas urbanização, evitando a favelização e reduzindo o custo do metro quadrado na região; a própria duplicação da rodovia 424 para ligar o Aeroporto a Sete Lagoas, que já é um parque industrial importante do estado e tem um grande complexo logístico sendo construído lá, inclusive, com uma promessa de um porto seco; a entrega efetiva do Aeroporto Indústria, que cria um diferencial competitivo para a região. Ou seja, tem muita promessa sem entrega e isso comprometeu o projeto. Eu acho que estamos no meio do caminho e acho que tem que se fazer agora um novo projeto, com novas promessas e adequadas à realidade de hoje. Talvez, o que se prometeu a 10 anos atrás, não seja exequível hoje. É preciso reunir as lideranças para a gente refazer as propostas e levar adiante e cobrar uma atitude mais efetiva tanto do governo, quanto dos empresários e da população. Ou seja, de todos os atores que envolvem o desenvolvimento. O crescimento está estagnado, hoje a gente tem até uma diminuição disso, nós temos fechamento de postos de trabalho, empresas tradicionais da região fechando, temos uma diminuição do fluxo do aeroporto, isso foi noticiado há poucos dias, mais de um milhão de fluxo foi perdido. Hoje, nós estamos perdendo. Eu não acho que estejamos crescendo, estamos decrescendo até.

ConviverNews: Como participar do projeto “Comunidade em Desenvolvimento: o Vetor Norte em Transformação” tem impactado a AV Norte?

Gilson Brito: A AV Norte vem se dedicando já há algum tempo ao desenvolvimento econômico e empresarial, que é o que ela se propõe. É uma entidade privada de empreendedores focado no desenvolvimento econômico. Mas, acreditamos que não tem desenvolvimento econômico sem o social e não tínhamos expertise para trabalhar no desenvolvimento social. O encontro da AV Norte com a Conviver Saber Social é extremamente importante e oxigenou um pouco o que planejamos para o Vetor Norte, porque potencializa e muito o que pode ser feito pela região. São organizações que vem de lados opostos, mas buscam o mesmo objetivo de promover um desenvolvimento sustentável no Vetor Norte. O que é legal é que cada uma entende da sua parte e juntas ficam muito mais fortes. Fico feliz de ver a diversidade de pessoas que estão se reunindo nesses encontros do projeto “Comunidade em Desenvolvimento”, tem a iniciativa privada, tem o terceiro setor, tem membros do governo executivo municipal. Há muito tempo eu não via uma conciliação de pessoas de tanta qualidade e tanto envolvimento com a mesma causa, o desenvolvimento equilibrado de uma região e o que estamos fazendo aqui pode virar um modelo para o país.

ConviverNews: Qual a importância do terceiro setor, a sociedade civil organizada, no processo de desenvolvimento da nossa região?

Gilson Brito: Defendemos a isonomia e o equilíbrio. Eu acho que o terceiro setor nesse ponto é importantíssimo porque ele amplia muito a defesa estrita do interesse de um grupo específico e expande para uma unidade muito maior. Essa talvez seja a grande chance do terceiro setor, essa autonomia de não estar vinculado a uma ideologia específica. Pelo contrário, ele supera essa questão da ideologia que fica travada em um conceito e ampliando o discurso, ele consegue atrair muito mais atores, aumentando o tamanho dessa mesa, e por consequência, aumenta a qualidade dessa mesa que vai gerar o diálogo e a elaboração de ações muito efetivas.

ConviverNews: Na sua visão, como empresas, governos e sociedade civil organizada podem se unir e trabalhar juntas pelo crescimento sustentável do Vetor norte? Como o projeto “Comunidade em Desenvolvimento” contribui nesse sentido?

Gilson Brito: A única forma que eu acredito de união é indivíduo a indivíduo. Porque cada um de nós é um influenciador no seu meio. Eu não acredito no movimento individual para a mudança de estruturas maiores, não acredito em organizações de grupos sem a mobilização de indivíduos. Projetos como esse atraem lideranças e essas lideranças têm forte poder influenciador em grupos. Assim, vamos conseguir fazer um movimento organizado da sociedade, porque na minha opinião, a única forma da gente ser representado e conseguir mudança efetiva é com o movimento organizado, ou seja, movimentos institucionais organizados. Mas, isso começa com um que encontra com outro e mais um. Cada um desses é um líder em seu meio, em sua região e vai fazendo uma integração entre essas lideranças e esses grupos diferentes e essa diversidade que garante que uma maioria vai ser beneficiada e não uma minoria.

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